domingo, 19 de junho de 2011

Desumano] Hap Vida nega UTI Pediátrica a mais um cliente enganado

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o SUS disponibiliza 64 leitos dessa especialidade na Capital
O pequeno Mateus dos Santos, de um ano e sete meses, filho do vigilante Ivan Rodrigues Sampaio, é portador de paralisia cerebral e, atualmente, apresenta um quadro grave de pneumonia em decorrência de uma asma crônica. Desde a madrugada do último sábado ele aguardava por um leito em uma das unidades de saúde pública da Capital.

O pai conta que apesar do filho ter plano de saúde, a entidade responsável, o Hapvida, alegou que não podia interná-lo, já que o mesmo não havia completado os dois anos de carência exigida pelo plano.O caso de Matheus não é raro. Existem pacientes na Capital em situações ainda mais complicadas. Para se ter uma ideia, ontem, com ele, seis crianças esperavam por um leito em uma das Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica que fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS), em Fortaleza.

Leitos
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), responsável pela regulação de leitos na Capital, existem 64 leitos de UTIs pediátricas ofertadas na rede municipal, estadual e hospitais privados conveniados.

Contudo, apesar dessa oferta, segundo o diretor clínico do Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), Rogério Rodrigues de Menezes, há sempre uma defasagem em relação a necessidade real de internações.

"A deficiência é crônica e permanente, sempre vão existir mais crianças doentes do que leitos em Fortaleza, principalmente, nos períodos sazonais, quando elas ficam mais vulneráveis ou seja, de janeiro a abril" ressalta.

Já para Regina Portela, presidente da Sociedade Cearense de Pediatria, a dificuldade não está somente na pequena oferta de leitos de UTIs pediátricas na Capital, mas amplia-se devido a carência de Unidades de Terapia Semi-Intensiva, nas quais ficam internadas as crianças de médio risco.

"Muitas vezes, o médico é obrigado a manter um paciente em um leito de UTI, por não existirem leitos de médio risco", destaca. A pediatra explica que nas unidades de médio risco, a criança não corre mais tanto risco de morte, mas necessita de cuidados especiais que em um leito comum de enfermaria, geralmente, não terá.

"Esses pacientes intercalam horas com aparelhos de ventilação artificial, horas sem o aparelho. Esse cuidado ele só terá em uma unidade de médio risco", observa.

A pediatra Regina Portela acrescenta que cerca de 50% dos casos de internação nas UTIs pediátricas são provenientes de infecções respiratórias graves. Inclui-se também casos de crianças diabéticas, com problemas neurológicos e que apresentam politraumatismos causado por acidentes.

Fila de espera
De acordo com Maria das Graças de Oliveira Campos, chefe da Central de Referência de Regulação das Internações de Fortaleza (CRRIFOR), normalmente, existem leitos suficientes de UTI Pediátricas na Capital.

Segundo ela, a situação atual é devido a grande quantidade de crianças com doenças respiratórias em Fortaleza.

Ainda conforme Maria das Graças, estão disponíveis para o Sistema Único de Saúde (SUS), mais 15 vagas de unidades de terapia semi-intensiva, o que de acordo com a demanda, também são suficientes.

O secretário de Saúde do Estado, Arruda Bastos, afirma que até o fim deste ano, mais dez leitos de UTIs pediátrica estarão funcionando no Hospital Regional de Sobral, o que consequentemente, segundo ele, irá ajudar a desafogar os leitos de UTI da Capital.

A assessoria de imprensa do Hapvida, plano de saúde do pequeno Mateus dos Santos, explicou que nos casos em que a criança não realiza a adesão ao plano de saúde desde o momento do nascimento e que os pais não possuem o mesmo plano, de acordo com as regras da Agência Nacional de Saúde (ANS), existe um período de dois anos de carência para casos de internação.

Contudo, segundo a assessoria, o Hospital Antônio Prudente realizou o atendimento de emergência de Mateus, com 12 horas de medicação e encaminhou a criança para a Central de Referência de Regulação das Internações de Fortaleza, que conseguiu um leito pelo SUS no Hospital Dr. Waldemar de Alcântara.

"Só que o pai se recusou levar o a criança para um hospital público em leito do SUS. Então, no fim da tarde de ontem, a criança, mesmo sem ter cumprido a carência exigida pela ANS, foi internada em um leito de UTI no Antônio Prudente, onde está recebendo tratamento", disse a assessoria.

UTIs pediátricas64 leitos de UTIs pediátricas ofertadas na rede municipal, estadual e hospitais privados conveniados
Sete estão localizados no Instituto Dr. José Frota (IJF)
Oito no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA)
23 no Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS)
12 no Hospital Dr. Carlos Alberto Studart Gomes
e outras 14 vagas em hospitais privados (Luiz de França e Antônio Prudente)

KARLA CAMILA
REPÓRTER
Diário do Nordeste

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